Estratégia Nacional para a Implementação da Metodologia BIM
A estratégia assenta em quatro pilares fundamentais:
No âmbito das políticas públicas, promove-se a integração progressiva do BIM na contratação pública, acompanhada pela definição de objetivos e metas para a sua adoção na Administração Pública.
Ao nível da normalização, pretende-se desenvolver uniformização de regras técnicas e a partilha de dados estruturados. Tecnologicamente, pretende-se a implementação de plataformas digitais colaborativas e a criação de partilhas de modelos de informação e o reforço da qualificação dos profissionais através de ações de formação, bem como o apoio direto a municípios e PME.
“O setor da construção assume-se como uma atividade fundamental, impulsionadora do crescimento social e económico do País, com um impacto significativo no produto interno bruto nacional, ao gerar novos empregos e ao estimular a atividade noutros setores produtivos de bens e serviços intermediários e nas receitas fiscais do País.
O desenvolvimento do território carece de uma gestão de
riscos nos seus ativos, da implementação de medidas preventivas e de mitigação,
que assegurem a proteção das vidas humanas e a respetiva integridade, através
da adoção de soluções de planeamento digital que permitam uma resposta mais
resiliente num eventual contexto de calamidade.
Neste âmbito, o XXV Governo Constitucional reconhece a
urgência de posicionar Portugal na vanguarda da inovação e transformação
digital, num contexto em que a revolução digital global redefine a forma como
vivemos, trabalhamos e interagimos. Esta transformação, não obstante os seus
enormes desafios, apresenta-se como uma oportunidade ímpar para o País.
A metodologia designada por Modelação de Informação na
Construção (Building Information Modeling — BIM) corresponde a uma metodologia
de trabalho colaborativo, de partilha de informação e comunicação, entre os
vários intervenientes de uma construção, nomeadamente o dono da obra, os
projetistas, os empreiteiros, os técnicos de segurança e manutenção, os
gestores e os utilizadores do espaço construído.
A metodologia BIM assenta num modelo digital tridimensional
(3D) dos objetos físicos projetados, o qual, sendo rico em dados, permite uma
descrição pormenorizada de todos os aspetos do ativo construído, permitindo,
ainda no âmbito do planeamento, antever e antecipar as diversas fases do seu
ciclo de vida (projeto, construção, utilização e desconstrução).
Este modelo digital pretende replicar a realidade, podendo
inclusivamente, evoluir para um gémeo digital (digital twin), o qual usa
dados em tempo real para simular ou monitorizar comportamentos, sejam
acústicos, térmicos ou outros, ou identificar possíveis falhas ou ineficiências
da construção, fomentando a tomada de decisões mais informadas sobre a sua
manutenção e o seu ciclo de vida.
Tal como a transição do desenho técnico manual para o
desenho assistido por computador (vulgo CAD), com as suas resistências e
impactos regeneradores, a adoção da metodologia BIM representa uma
transformação significativa no setor da construção, abrangendo as diversas
vertentes da arquitetura, da engenharia, da construção e da operação (AECO).
Por meio da integração de modelos digitais, a metodologia
BIM promove uma simulação rigorosa e fiel à realidade, melhorando a
comunicação, a coordenação e a colaboração de todos os envolvidos. Possibilita
também um maior controle de riscos e redução de erros e distúrbios ambientais,
permitindo uma economia de recursos, uma maior eficiência e a otimização de
custos, aumentando a transparência e a sustentabilidade em todo o ciclo de vida
do empreendimento.
A metodologia BIM lança de forma sistemática novos desafios e exige uma atualização contínua de competências, contribuindo para a aceleração da mudança de paradigma das profissões na construção, quer pela simulação e automatização de processos, reduzindo o esforço físico e democratizando géneros, idades e condições físicas, quer pela exigência de trabalhadores altamente qualificados.”
“ Não obstante o conhecimento sobre a metodologia BIM encontrar-se em expansão, a falta de divulgação de potencialidades e de boas práticas, ou de disponibilidade alargada de formações profissionais, de pós-graduações, ou de meros tutoriais, a complexidade da linguagem idiomática e normativa, o custo das licenças de softwares e a insuficiente capacidade instalada do equipamento informático constituem barreiras reais à sua implementação.”
“A nível mundial, a adoção da metodologia BIM tem sido
impulsionada sobretudo por exigências de donos da obra e políticas públicas,
pela crescente digitalização da indústria, pela evolução das competências dos
profissionais, pelo papel das instituições de ensino e investigação, bem como
pela internacionalização das empresas, que as leva a adotarem práticas BIM mais
avançadas para se alinharem com mercados onde a utilização da metodologia já é
amplamente consolidada. “
“A experiência internacional oferece um vasto repositório de boas práticas e lições aprendidas, permitindo que Portugal beneficie de um percurso de implementação estruturado e eficaz, maximizando os ganhos e mitigando desafios comuns a processos de transformação digital na construção. O Manual relativo à aplicação da Modelação da Informação da Construção (BIM) no Setor Público Europeu menciona que a digitalização dos processos de AECO permite economias entre 10 % e 20 % nas despesas de capital dos empreendimentos de construção de edifícios e de infraestruturas.”
“Em Portugal, uma parte significativa da indústria da construção ainda se encontra em fases iniciais de adoção da metodologia BIM. “
“Neste âmbito, foi criada uma Comissão Técnica de Normalização CT 197 — Building Information Modeling (BIM), do Instituto Português da Qualidade, I. P. (IPQ), espelho do CEN TC 442 — Building Information Modeling (BIM) a nível europeu.”
Consulte a Resolução do Conselho de Ministros n.º 89/2026 disponível em .pdf
Estratégia Nacional para a Implementação da
Metodologia BIM